Alencar Garcia de Freitas: Das quatro estações do ano, o inverno é o mais melancólico

18 de junho de 2016


Ao ver o noticiário televisivo de uma dessas manhãs, fiquei deveras triste com a informação de que um dos bairros mais pobres do Rio de Janeiro teria amanhecido com temperatura de zero grau. 

Imagine um morro gelado? O comum é que os morros estejam sempre quentes; quentes por conta da temperatura tipo verão; quentes por conta da enorme queima de baseados; quentes da troca de tiros entre grupos rivais e entre bandidos e policiais. 

Morros frios, nem pensar! E o que é melhor: um morro gelado no sentido literal ou um morro quente no sentido literal?

Se eu tivesse que responder a essa pergunta – morro quente ou morro frio – minha resposta seria morro quente, mas quente por conta do calor do verão e nunca quente por conta da queima de baseados ou troca de tiros entre grupos rivais ou entre policiais.

Às vezes o frio, mesmo que não seja dos mais rigorosos, passa para os idosos, os doentes e os pobres uma sensação desagradável de que a vida está chegando ao fim. O frio é o oposto do calor que passa sempre a ideia de vigor e vida.

O interessante é que tudo o que Deus comanda tem o máximo de sua sabedoria, sabedoria divina. Vejamos: entre uma estação e outra do ano tem uma intermediária: depois do verão, vem o outono, antes da chegada do inverno e depois entre o inverno e o verão, outra estação intermediária, isto é, a primavera. Nunca se sai de uma estação muito fria ou muito quente sem a intermediação de uma estação não muito fria e não muito quente, possivelmente para evitar um choque térmico.

O Deus, criador do céu e da terra, governa o universo com absoluta sabedoria e competência. Ainda bem, porque se a administração da natureza fosse obra e arte do ser humano o que seria dos habitantes deste planeta?

Alencar Garcia de Freitas 

Ministros de tribunais e a dívida 
que teriam com quem os indicou


Vez por outra são publicadas na mídia declarações de ministros indicados por presidentes ou ex-presidentes da República segundo as quais não teriam nenhuma dívida, sequer de gratidão, com quem os indicou. Será que na prática, no exercício do múnus, na hora “h” de uma canetada, tais ministros são isentos de verdade ao ponto de, conscientemente, levarem conta a lição “A lei é dura mas é lei?”

Em todas as instâncias dos poderes constituídos o que mais se vê por aí é o tal do “jeitinho brasileiro”. Será que também lá, nos tribunais, esse “jeitinho” não funciona? A meu ver, basta que a parte interessada seja importante ou bem “abonada”. Claro que um João-ninguém ou um Zé-mané não teria a mesma facilidade para conseguir esse “jeitinho” e se safar de uma condenação!

O “jeitinho brasileiro” de que tanto se fala no Brasil desde há muito pode ser traduzido de algumas maneiras interessantes, mesmo com a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e a Justiça Federal apertando o calo de muita gente. Os malandros, os espertalhões sabem de cor e salteado como operacionalizar o “jeitinho brasileiro”. Pode ser por meio de contas na Suíça, por meio de dólares e euros, empregos compensatórios, promoções de funcionários e até mesmo “favorzinhos” envolvendo mulheres.

Cada ser humano tem no mínimo um ponto fraco. Alguns têm mais de um, sem dúvida; é por essas e outras que se diz por aí que todo ser humano tem o seu preço; seja ele católico, protestante, ateu; amarelo, branco ou negro.


No entanto, mais cedo ou mais tarde, ficará provado definitivamente se os ministros dos tribunais que foram indicados por este ou aquele presidente não favoreceram, de modo direto ou indireto, quem os indicou para os cargos que ocupam ou ocuparam; só o tempo dirá.

Alencar Garcia de Freitas 
é jornalista

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