Alencar Garcia de Freitas: Comentando o centenário de Aimorés

11 de julho de 2016


Somente agora, quase um ano depois, comento, como aimoreense ausente, ausente de verdade, o centenário da nossa querida Aimorés/MG, lidos os dois opúsculos que me foram emprestados pelo doutor Anderson Barbosa. O evento foi comemorado (ou finalizado) no dia 18 de setembro último, data da cidade.

Nossa Aimorés fica a poucos passos de distância de Baixo Guandu, no Espírito Santo. No tempo do tal do Contestado, que tinha como atores principais Barra de São Francisco (ES) e Mantena (MG), havia uma certa rivalidade e desconfiança, se em algum momento os mineiros não tomariam de assalto o território capixaba...

Tudo, no entanto, nunca passou de vãs suspeitas; afinal, no dia a dia dos nativos, os aimoreenses e os guanduenses sempre foram (e continuam sendo) “irmãos camaradas”, torcendo e lutando pelo sucesso dessa “brava gente brasileira”.

Lógico que essa convivência tão pacífica tem suas razões práticas, principalmente partindo de alguns pontos de vista interessantes para os dois lados. Baixo Guandu, apesar de bem menor em termos territoriais, populacionais e econômicos, sempre foi um celeiro de jovens bonitos, mais ainda as moças de lá (não que Aimorés também não tivesse gente bonita, moças lindas); só que, nos finais de semana, os rapazes aimoreenses preferiam ir namorar em Baixo Guandu, na famosa estação de tratamento de água fluorada, a primeira inaugurada na Região Sudeste, nos governos de Getúlio Vargas e Jones dos Santos Neves; pois era lá, talvez para beber daquela água que os apaixonados aimoreenses iam namorar. 

Além dessas vantagens oportunizadas pela cidade de Baixo Guandu aos mineiros, é essa cidade a porta de entrada da mineirada para as gostosas praias e a aprazível Região serrana das terras capixabas, principalmente para os que vêm do Leste mineiro.

E Aimorés? Aimorés, sem dúvida, além de possuir um território e uma população bem maiores, foi sempre possuidora de uma infraestrutura mais convidativa para os guanduenses: assistência médico-hospitalar mais qualificada, rede bancária mais forte (enquanto Baixo Guandu possuía apenas uma agência bancária, Aimorés operava com cinco bancos), diversos escritórios de advocacia, escolas de primeiro e segundo graus, hotéis e restaurantes bem qualificados e em número bem maior e serviço militar do Exército prestado pelo Tiro de Guerra local.

Acredito que os opúsculos versando sobre o centenário de Aimorés , embora de boa qualidade, poderiam ter sido melhorados se contivessem mais algumas curiosidades sobre a pesca de subsistência nos rios Doce e Manhuaçu que cortam a cidade, a história das lavadeiras, o artesanato local e ainda o fato de Aimorés, segundo alguns pesquisadores e historiadores, oportunizar um pôr do sol dos mais belos do Brasil.


Essa é a nossa centenária Aimorés.





Alencar Garcia de Freitas
é jornalista




A banda mineira Jota Quest na festa do Centenário de Aimorés.

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