Uchôa de Mendonça - A morte do Esquerdinha

6 de julho de 2016
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Por uma questão de criação, transformada em princípios, tenho aversão a futebol. Sou totalmente avesso até ao noticiário, para saber quem ganhou ou quem perdeu.

Entendia meu pai, o velho Mesquita Neto, que futebol era coisa para desocupado, moleque que não queria nada com o serviço.

Quando cheguei em Vitória, no ano de 1952 vim conhecer no trabalho um jogador de futebol, do Vitória Futebol Clube, o famosos “Esquerdinha”, Gessy José de Sá. A todo custo queria me arrastar para o estádio para vê-lo jogar e, invariavelmente, ia.

Segunda-feira, no serviço, quando ele jogava no sábado ou no domingo, a conversa o dia inteiro girava sobre futebol. Se o Vitória ganhasse, ele falava tanto até ficar rouco. Se perdia, par não se r gozado pelo Audifax Nascimento ou o Carlota, que eram os cronistas esportivos de A GAZETA na época e rio-branquenses doentes, ele ficava quieto, para não brigar com seus interlocutores.

Gessy morreu no dia 19 de junho último aos 85 anos, em sua casa, de morte natural, deixando viúva Maura, sua inseparável esposa e um casal de filhos, sendo que José Mauro, engenheiro elétrico, também jogador do Vitória, como o pai, era meu afilhado de batismo. Vejam só, um ateu com um afilhado de batismo, na Igreja Católica.

Quando José Mauro nasceu, pela grande amizade que nos unia, Gessy disse que eu ia ser seu padrinho. Expliquei que ele poderia me considerar seu amigo e compadre para o resto da vida, mas que parasse com a idéia absurda de me levar para a igreja. “Não, eu vou falar com o padre que você tem que ser padrinho do José Mauro e ele tem que ser batizado na igreja”, dizia.

Um belo dia o Gessy me chamou e abriu a porta do carro e mandou que eu entrasse. Meio surpreso, vi ele dirigindo o veículo com sentido a Santo Antônio. Estava longe de imaginar que ele me levaria à presença do Padre Mateus Panizza, um italiano afável que me recebeu de braços abertos. “Ent& atilde;o Uchôa! Respeito sua posição. Você não precisa se confessar nem comungar para batizar o filho do seu amigo. Venham domingo para a celebração do batizado”. Sem cumprir qualquer ritual católico me transformei em padrinho, com minha mulher, do José Mauro.

Fugindo à regra, fui ao Cemitério de Santo Antonio na segunda-feira dar meu adeus a Gessy José de Sá, o “Esquerdinha”, que me fez vários favores em vida, inclusive me apresentando ao exportador Salvador Venâncio da Costa, o homem que fez o Vitória Futebol Clube, nos transformando em grandes amigos.

Uchôa de Mendonça
é jornalista

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