Alencar Garcia de Freitas: Espírito Santo industrial e a poluição

25 de agosto de 2016
Desde que o Estado do Espírito Santo passou a abrigar empresas industriais de maior porte, começou a chover reclamação em virtude do índice cada vez mais elevado de poluição ambiental, esta debitada às grandes empresas que até então não tinham muita preocupação com o meio ambiente, uma vez que não existiam leis e fiscalização tão rigorosas como as que foram implantadas a partir do final da década de 1980, quando foi aprovada a nova Constituição Brasileira. 

A industrialização do Estado trouxe consigo duas questões sociais muito sérias, uma construtiva e outra destrutiva. A construtiva, representada pela geração de emprego e renda e em consequência o surgimento e crescimento de bairros e cidades localizados no seu entorno. 

A destrutiva, representada pela poluição ambiental, causadora de vários problemas para a saúde e para a má qualidade de vida da população. O exemplo mais gritante de indústria poluidora na Grande Vitória foi a Companhia Ferro e Aço de Vitória, de triste memória. 

Praça Hugo Viola, Jardim América, Cariacica/ES

Por outro lado foi a que mais contribuiu para o surgimento do bairro de Jardim América, a partir do espólio da família de Hugo Viola, que desbravou aquela região no município de Cariacica, trazendo no seu caudal o desenvolvimento de Itaquari, Alto Laje, Morro do Expedito, Campo Grande, Itacibá e Morro da Companhia, estes muito beneficiados pela significativa presença e participação da Vale do Rio Doce.

Presenças significativas também em favor do desenvolvimento econômico e social dos bairros de Paul, São Torquato, Argolas, Cobi de Cima, Cobi de Baixo e outros bairros vizinhos, no município de Vila Velha, foram a ex-IPESSA, Pepsi-Cola, Chocolates Garoto e Alcobaça, que, embora causando algum dano ao meio ambiente, contribuíram bastante para a geração de emprego e renda.

Indo para Região Norte de Vitória, lá estão dois dos maiores construtores do desenvolvimento econômico e social de bairros como Jardim da Penha, Jardim Camburi, Mata da Praia, Bairro de Fátima, Carapina e vários outros bairros, mas que são, ainda hoje, os grandes vilões quando o assunto é poluição ambiental: CST, a fábrica de cimento e a Vale, esta com sua famigerada usina de pelotização, que tem causado enormes danos ao ar e às praias que estão em suas imediações.

A pergunta é: não fossem essas empresas, apesar de todos os danos lamentavelmente causados ao meio ambiente, a Grande Vitória seria o quê em termos de geração de emprego e renda?

Quem conheceu a Grande Vitória, como conheci ao chegar aqui em janeiro de 1957, sabe que os municípios da hoje Região Metropolitana eram um tiquinho de empresas e gente.



Alencar Garcia de Freitas 
é jornalista

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