Alencar Garcia de Freitas: A saúde pública e os planos de saúde privados

23 de agosto de 2016


Alguns atendimentos pelo SUS e pelos planos privados se equivalem em termos de boa ou má qualidade. 

Pessoalmente, mais de uma vez comprovei que os profissionais da saúde pública atendem melhor do que os dos planos privados; pelo menos no caso do meu plano. 

Como tenho problema de hipertensão arterial e em razão disso vou ao cardiologista constantemente. 

Uma vez ou outra já me aconteceu de ser atendido por especialistas da rede pública municipal e saio de lá me sentindo mais seguro, graças à experiência e o profissionalismo dos médicos, que pedem exames que até não têm muito a ver com a especialidade deles.


E quando levo os resultados fazem uma leitura atenta dos exames e dão mil e uma explicações e orientações, o que nem sempre acontece com os profissionais do plano de saúde. 

Dia desses, por exemplo, fui a um ortopedista que atende pelo meu plano, em virtude de estar sentindo muita dor na coluna vertebral. Ele pediu raio-x a torto e a direito, me submeti a esses exames e, de posse do respectivo CD e do parecer do radiologista, voltei ao ortopedista e este, depois de uma leitura superficial, sem sequer abrir o CD (perguntado se ele não iria colocá-lo na tela, respondeu-me que o seu aparelho estava com defeito...), dizendo que os meus exames estavam bons , não tinha nada demais).

Perguntei: e se a dor voltar? Sua resposta: estou passando um analgésico para tomar se a dor voltar e que o melhor seria eu frequentar uma academia, fazer pilates e na hora de dormir, dormir de lado, usando um pequeno travesseiro no meio das pernas, e nada mais.

Outra questão séria que o paciente enfrenta em alguns planos de saúde – e não sei como a Agência Nacional de Saúde ainda não descobriu isso – é a frequente saída ou troca de profissionais credenciados. Por exemplo, em dois anos de idas e vindas a cardiologistas, é o quarto que me atende atualmente, porque os outros três deixaram o plano, não sei a razão; talvez porque o plano paga pouco, e quem sofre é o usuário, que acaba não tendo um acompanhamento à altura de suas necessidades. 

Na maioria das vezes são profissionais muito competentes que os usuários gostariam continuar sendo atendidos por eles.


Entendo que a Agência Nacional de Saúde deveria ser mais rigorosa no seu papel de reguladora para que o público usuário não seja penalizado como tem sido. Fica aqui a sugestão de uma fiscalização mais presente e eficiente no resguardo do interesse público.


Alencar Garcia de Freitas 
é jornalista

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