Izabel Mendonça: Político tem que ter palavra e deve honrar compromissos com aqueles que o elegeram!

9 de agosto de 2016



Vergonha alheia. É isso que sinto ao perceber certas atitudes nestas eleições que acabaram de começar aqui no Estado, em especial em alguns municípios. Esperamos que, ao contrário do que muitos têm bradado por ai, os debates sejam, apesar de tudo, o melhor momento.

Temos todos os tipos de candidatos, o bonito, o velho, o que vive tentando se eleger a cada eleição, o que diz que está feliz onde está mas quer tentar outro lugar, enfim, são os mais diversos tipos de candidatos atrás do voto do bobo, ops, do povo.

A população sente um vazio horrível. E essa corrida parece mais uma corrida da roda da morte, num circo que no caso, é a prefeitura.

Você tem vivido este sentimento com profundo enfado e desinteresse? Não se admire nem se envergonhe. Você não está sozinho. Quase todos os brasileiros sentem o mesmo. A corrida tem sido tão fastidiosa que é complicado ter o mínimo de entusiasmo. 

Já se multiplicam acusações e explicações para o marasmo: há quem diga que a culpa é do formato da nova eleição, alguns alegam o desprestigio que os candidatos têm. E isso tudo, junto e somado, mais o persistente desinteresse que os cidadãos têm pela política aqui no Brasil, a tendência é este caos piorar.

Os perfis dos candidatos são diversos. Uns com muito dinheiro, fazendo uso da máquina pública, fazendo e acontecendo, prometendo mundos, fundos e tudo o mais. Outros, de muleta - literalmente - mostrando um sofrimento, apelando pela democracia em que nem ele mesmo acredita. 

Há ainda aqueles que acabam por ser "fritados" dentro do próprio partido, e se veem sem opção de continuar a seguir em frente. Enfim, nesse carnaval, a máxima "manda quem pode obedece quem tem juízo" cai como uma luva para muitos aqui no Espírito Santo. Então, desde agora, a gente já vê candidato que antes se declarava oposição, se unindo a situação e ainda declarando que este é o melhor.

Que decepção, que feio!

Nesta disputa de poder e não de projeto o eleitor realmente é o único que acaba por não ser contemplado, e mais uma vez sai perdendo.

Alguns candidatos pretendem vender uma "pseudoingenuidade", lançando apelos, vendendo o velho travestido de novo, falas cheias de pretensão e zero de substância. Quer vender uma suposta inspiração, um alento ao coração do povo tão maltratado e esquecido durante os quatro anos após as eleições, ou então mostrar que é época de "novo tempo".

As ideias, a discussão sobre os temas realmente importantes, não têm lugar nesses discursos.

O cargo de Prefeito de um município é muito importante. Não é apenas mais uma eleição, não é uma parada de carnaval. O prefeito não deve ser Arlequim ou Grilo Falante, apenas.

Esta campanha que mal começou já parece começar podre e "cheirando mal".

Cabem apenas aos eleitores perceberem a diferença entre os candidatos, inclusive, entender o porque que alguns já estão abrindo mão da disputa. A pergunta a ser feita é: o que levaram em troca os candidatos que desistiram? O que estes candidatos que antes criticavam o outro, no meio do caminho resolveu se "coliar"com ele? E não falo apenas de dinheiro, falo de poder.

A pergunta a ser feita pelo eleitor é: devo votar no mais bonito e no mais simpático, ou em quem realmente tem uma história de vida para contar? E lembrem-se: história de vida não é ter nome, sobrenome e família não. História de vida é o candidato poder mostrar para a sociedade quem ele é, o que ele fez até agora pela sua cidade, em seus mandatos anteriores, qual foi a marca que ele deixou? A de ética e transparência, ou a de conviver bem entre a elite? História de vida se constrói em sua própria vida e não apenas repete a história de outro.

A eleição está nas nossas mãos. Precisamos de políticos verdadeiros, que amem verdadeiramente seu povo, que conheça a história de sua gente, que pense no coletivo.

Em meio a tantos escândalos, corrupção e mentiras a classe política vem tentando sobreviver e nós estamos perseverando para acreditar que tudo vale a pena quando a alma não é pequena. Mas aqui fica uma alerta: “O gigante acordou e até os mais preguiçosos vem abrindo os olhos.”

Na antiga política, ou politicagem barata, o bom político era aquele que sentava em um bar para beber com seu eleitorado ou ainda aquele cara simpático e brincalhão, que aparece na véspera das eleições com uma cesta básica para aquela família pobre e sofrida, ou que promete um empreguinho fácil, depois de eleito. Não acreditem em facilidades.

A principal característica que faz de um cidadão um bom político é sua capacidade de colocar o interesse público acima dos seus próprios interesses.





Izabel Mendonça 
é jornalista

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