Alencar Garcia de Freitas: Banqueiros e bancários “emparedando” seus usuários

6 de setembro de 2016



Todo e qualquer tipo de greve acabam prejudicando mais os pequenos, mas a greve dos bancários, mais do que justa, acaba pondo lado a lado banqueiros e bancários contra os mais pobres. 

Fui bancário por mais de 21 anos e nessa condição participei de dezenas de greves e comandei piquetes em portas de bancos dentro de Vitória. 

Nas assembléias para decidir ou não sobre a paralisação da classe, defensor intransigente das greves, sempre “discursava” lamentando o fato de os usuários desses serviços serem os mais prejudicados e os banqueiros os mais beneficiados. 

Quando ataco os banqueiros e bancários dizendo que greves penalizam mais os pobres, devo uma explicação aos que estão lendo este texto. Como os pobres são os mais prejudicados? Estes, se aposentados e pensionistas, têm mais dificuldade de sacar seus benefícios e fazer os pagamentos de sempre na boca do caixa (nos caixas eletrônicos a coisa é bastante complicada para eles...). 

E quando digo que os banqueiros levam a melhor é porque: a maior parte do dinheiro que emprestam não é deles e sim dos depositantes, trabalhando com a melhor “mercadoria” do mundo, o dinheiro dos outros; o aumento de salários concedido aos seus funcionários é repassado aos clientes, uma vez que elevam os custos operacionais dos empréstimos; enquanto as agências bancárias se mantiverem fechadas para o pobres, os gerentes estarão atendendo a clientela vip em domicílio. Enfim, quem paga o “pato” é a raia miúda; os cartões de créditos com bandeiras próprias deles são os que cobram juros mais escorchantes.

Costumo dizer também, desde os velhos tempos de bancário, que estes, os bancários, queiramos ou não, é que são os verdadeiros e fieis escudeiros dos banqueiros, que se tornam cada vez mais ricos e poderosos a custa de seus prepostos. Apesar de explorado aprendi muito, como bancário, a lidar com o dinheiro alheio, com a certeza de ter que dar conta de cada tostão que administrava dos banqueiros, principalmente no meu caso uma vez que dos 21 anos como bancário quatorze foram trabalhando como caixa.

Sem dúvida os lucros que os banqueiros têm são mais do que suficientes para pagar salários mais dignos aos bancários.

Torço para que o quanto antes os dois lados cheguem a um acordo que seja bom para eles e principalmente para os usuários desses serviços.

Alencar Garcia de Freitas é 
jornalista

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