Uchôa de Mendonça: Ernane Galvêas - o indignado

24 de novembro de 2016
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Está faltando ao Brasil, no momento, um chamado homem dos culhão roxo, tipo Humberto de Alencar Castello Branco, o mais importante e o melhor presidente de toda a história republicana brasileira.

Tenho citado, vez por outra, uma das mais importantes figuras da economia nacional, o ex-ministro da Fazenda, Ernane Galvêas, economista, natural de Cachoeiro de Itapemirim e uma das nossas maiores inteligências, a quem tenho prestado minhas reverências, pelo saber com que diz as coisas.

Recebi, recente, correspondência do ex-ministro Ernane Galvêas, um dos maiores estudiosos dos problemas econômicos e sociais do Brasil, que mostra sua indignação diante do quadro em que vive a Nação, como diz, “de saco cheio com os políticos e administradores” brasileiros e nos manda uma formidável peça do que seja “descalabro financeiro nacional”.

Como brasileiro, como quem vive a vida nacional, indignado como o ministro Galvêas, publico abaixo sua indignação, que é a indignação das pessoas que não suportam mais essa gente incompetente que está no poder e não tem prazo para sair, ao contrário, quer permanecer se perpetuar.

Vamos à análise do professor Ernane Galvêas:

- DESCALABRO FINANCEIRO

“A situação financeira do Governo – União, Estados e Municípios – é um verdadeiro descalabro, um caso escandaloso de incompetência administrativa, que arruinou as contas públicas.

O déficit da União é apenas uma expressão desse descalabro, onde sobressai a mais irresponsável burocracia oficial. Há no serviço público, nos três níveis do Poder, um absurdo excesso de pessoal, com salários exageradamente incompatíveis com a estrutura dos recursos fiscais. Em conseqüência, o Governo sistematicamente gasta mais do que arrecada, acumulando uma dívida pública que vai caminhando para se tornar impagável.

A dívida bruta do Governo Central subiu de 57,2% do PIB em 2014, para 75,5% em 2016, vai caminhando para 80% em 2017 e 100% depois de 2018. Sobre essa dívida absurda, o Banco Central faz incidir uma taxa de juros ainda mais absurda e irresponsável que, em termos reais, chega hoje a 6,7%, de longe a mais alta do mundo.

Surge, agora, a esdrúxula provocação da PGR, em total contramão com o Governo Temer, afirmando a “flagrante inconstitucionalidade” da PEC 241, porque limita os gatos do Judiciário e do Legislativo (!?).

Aonde vamos parar. Ninguém sabe. A cada dia, são revelados novos casos alarmantes de corrupção, que têm levado à prisão ex- Ministros da Fazenda mancomunados com desfigurados líderes políticos. Um acinte ao bom senso e uma vergonha para o povo e a Nação brasileira.

O aparelhamento do Estado por funcionários e políticos desonestos está sendo desmontado, mas permanece o espantoso e excessivo quadro de pessoal burocrático que, a cada dia, acelera a ruína nacional.

A crise fiscal é perturbadora, porque em sua origem está o impressionante excesso de pessoal, sem possibilidade de um necessário enxugamento. Servidores públicos concursados gozam de total estabilidade. Não podem ser demitidos. A rigidez do quadro de pessoal torna, assim, muito mais difícil qualquer solução para o angustiante desequilíbrio fiscal da União, dos Estados e dos Municípios.

Nas três esferas do Governo, entre 2001 e 2014, o número de servidores públicos aumentou 54,4% e o gasto com o funcionalismo mais do que dobrou em termos reais. Nesse período, enquanto o salário médio no setor privado aumentou 21,4%, no setor público federal subiu 42,2% e no estadual 70,8%.

Por tudo isso, é importante que todos nós emprestemos ao novo Governo do Presidente Temer o maior apoio possível, com a esperança de que, pelo menos, possamos estancar a sangria financeira irresponsável herdada dos governos anteriores.

O Relatório de Inflação do Banco Central de setembro revela que a economia brasileira ainda não saiu do “fundo do poço”. O resultado projetado do PIB foi negativo em -3,3%. Cairá o volume dos investimentos em -8,7%, das famílias (-4,4%), do Governo (-1,3%) e aumentarão as exportações (+4,7%).

A produtividade nacional, do capital e do trabalho, em grande parte responsável pela retração da indústria, é uma das causas da ausência de crescimento e do desemprego.

Todavia, em meio a esse quadro pessimista, começam a surgir sinais positivos de melhoria da confiança, em conseqüência da mudança de Governo, da maior eficiência e desempenho dos quadros técnicos da administração pública e do combate à corrupção. Neste ano, o real já se valorizou em mais de 20% e a Bovespa acumula ganhos de 28%. Segundo noticiário da imprensa, o mau humor em relação ao Brasil está mudando, com sinais de otimismo entre os investidores nacionais. Ao que consta, grandes Fundos de Investimentos já contemplam a possibilidade de aplicar no País, neste e no próximo ano, cerca de US$50 bilhões, não apenas no mercado financeiro (especulativo), mas também em investimentos de infraestrutura, fusões e aquisições propiciadas pelos programas de privatização.

A CNC e todo o setor do comércio de bens, serviços e turismo vêm mantendo uma atitude de apoio e confiança nas medidas que estão sendo anunciadas pelo Governo do Presidente Temer.

O humor com o Brasil melhorou, e os investidores estão voltando a apostar no País. Com cautela, fundos externos avaliam investir US$ 50 bilhões na economia brasileira neste e no próximo ano. é importante frisar, no entanto, que a reação completa só virá com a aprovação das reformar em curso.

As reformas são fundamentais para que a confiança traduza-se na retomada do crescimento econômico. Trocando em miúdos, o pessimismo está diminuindo.

Falta emprego. Segundo a Serasa, o número de empresas criadas de janeiro a julho foi de 1,19 milhão, o maior número desde 2010, +1,8% em relação aos sete primeiros meses de 2015.

PIB e Investimentos

O PIB caiu 0,6% no segundo trimestre deste ano em relação ao primeiro, acima da média prevista pelo mercado. Apenas no primeiro trimestre, o PIB encolheu 4,6%.

Segundo previsões da CNC, o PIB deverá registrar queda de 2,9% em 2016, puxado basicamente pela queda da indústria (-3,4%), com destaque para os investimentos FBCF (-10%).

Indústria

Após 5 meses seguidos de alta, a produção industrial brasileira recuou 3,8% em agosto relativamente a julho. No ano, a indústria acumula queda de 8,2%, e em 12 meses, -9,3%.

Houve redução de produção em três das quatro grandes categorias pesquisadas pelo IBGE, e em 21 ramos dos 24 considerados. Veículos automotores e produtos alimentícios são as principais influências negativas, -10,4% e -8%, respectivamente.

A crise na indústria automobilística brasileira se agrava, segundo a Anfavea. Até setembro, saíram das fábricas 1,55 milhões de automóveis, o pior nível desde 2003, e uma queda de 46% em relação a 2013, por exemplo.

A produção de petróleo cresceu 1,1% em agosto contra julho, e 2,4% relativamente a agosto. Foram 2,609 milhões de barris/dia, volume recorde.

Na esteira do resultado abaixo do esperado em setembro, a Associação Brasileira de Papelão Ondulado piorou a projeção para as venda em 2016: a queda deverá ser de mais de 1%, ante expectativa que variava entre -0,5% e -1%.

O novo índice da FGV, o Indicador Mensal da Balança Comercial mostra que em agosto o volume de importações de bens de capital cresceu 16% em relação a agosto de 2015.

Comércio

A receita de vendas dos atacadistas e distribuidoras teve queda real de 1% de janeiro a agosto, segundo a ABAD. A perspectiva de desaceleração nos preços e o impulso das vendas no fim do ano deverão ajudar o segmento.

O comércio varejista enfrentou o pior ano em uma década, e isso se refletiu no emprego no setor, segundo a CNC, com base na RAIS de 2015. O varejo empregou 7,92 milhões de pessoas no ano passado, -2,1% ante 2014, um corte de 171,9 mil postos.

Os segmentos varejistas que tiveram desempenho mais fraco foram os que mais demitiram: comércio de veículos (-10,6% com -30,5 mil vagas), equipamentos de informática e comunicação (-6,7% com -62,8 mil vagas), e comércio, manutenção e reparação de motocicletas (-5,7% com -5,1 mil vagas).

Pesquisa divulgada pelo IBOPE avaliou que o movimento nos shopping recuou 3,5% em setembro, comparativamente a setembro do ano passado.

Mais de 6 mil lojas fecharam as portas no Rio de Janeiro, de janeiro a julho, aumento de 18,8%, de acordo com o CDL-Rio. Na capital, foram 2,4 mil lojas a menos, 15,7% a mais do que no mesmo período de 2015.

Agricultura

Os embarques de soja do Brasil apresentaram uma redução em setembro, o que é considerado normal para esse período do ano; também as vendas externas de milho recuaram, em um movimento incomum para o mês.

As exportações mundiais de café totalizaram 9,76 milhões de sacas em agosto deste ano, 9,5% acima das 8,91 milhões de sacas de igual mês de 2015.

Mercado de Trabalho

O desemprego atingiu 1,5 milhão de vagas em 2015, ou seja, 3,45% acima de 2014, quando o saldo foi positivo. O salário médio (R$ 2.655,60) caiu 2,56% entre dezembro de 2014 e 2015. A CNC revisou para baixo sua previsão de desemprego até o final de 2016: 230 mil empregos (-3,0%).

No trimestre encerrado em agosto, a taxa de desemprego ficou em 11,8%, o que significa que 12 milhões de pessoas estão sem emprego.”




Uchôa de Mendonça
é jornalista

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