Alencar Garcia de Freitas: A charge de “ouro” de Amarildo

13 de dezembro de 2016

Ao abrir a edição da sexta, 9 de dezembro, de A Gazeta, como faço todas as manhãs, senti-me premiado com a charge de Amarildo, fazendo relevo com uma figura bastante conhecida de contos infantis, tendo como personagem aquele tipo de cãozinho dócil que faz tudo que o dono manda. 
Dono esse representado – muito bem, por sinal – pelo presidente do Senado, o alagoano Renan Calheiros (faltou apenas mais um personagem que poderia ser representado pelo senador acreano Jorge Viana...).

Acho que se Amarildo nunca mais fizer outra charge, essa será, sem dúvida, a de “ouro” que ele produziu; tivesse eu tal competência e produzisse uma charge como essa, com certeza me sentiria plenamente laureado.

Tenho muitos motivos para eleger essa charge como de “ouro”, cito apenas três: criatividade, senso de oportunidade e coragem, pelo fato de trazer para uma reflexão mais profunda e responsável o momento político que o país está vivendo, notadamente pondo em xeque a tão decantada independência entre os três poderes da República. 

Aliás, independente da realidade constitucional segundo a qual esses três poderes são independentes entre si, recorro a texto que escrevi há algum tempo, publicado apenas em alguns dos sites para os quais escrevo diariamente, e nele questiono se realmente os três poderes da República são de fato independentes, uma vez que dois deles são inteiramente dependentes de um, isto é, do executivo, que tem as chaves do cofre em mãos e pode usá-las a seu bel-prazer...

Voltando à charge de “ouro” (por favor não confunda a charge de “ouro” de Amarildo com “as chaves de ouro do Executivo”, porque seria confundir alhos com bugalhos...)

Os artistas, como os atores e outros profissionais dessas áreas, têm o privilégio de externar o sentimento da alma dos cidadãos que não têm tal privilégio, como o chargista acaba de fazer, premiando a todos nós com essa pérola.


Se não estivéssemos vivendo sob a égide de uma democracia participativa, como temos vivido depois de mais de 20 anos de ditadura, certamente teríamos que visitar o Amarildo no xilindró (e eu iria visitá-lo e abraçá-lo fortemente)!



Alencar Garcia de Freitas 
é jornalista

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