Alencar Garcia de Freitas: Minas “invade” o Espírito Santo

27 de dezembro de 2016

Anualmente ou semestralmente Minas “invade” o Estado do Espírito Santo, quase sempre por conta do mar e de suas praias, apesar dos mineiros terem mar também, porque o mar daqui é de verdade enquanto que o deles é de mentirinha...

Em quaisquer lugares em que se vai, praças, parques, hotéis, pousadas, bares, botecos e igrejas, o “uai sô”, marca registrada da mineirada, e “marzão besta”, são ouvidos a torto e a direito. 

Nas praias, os que estão tendo o seu primeiro contado com o mar e as praias, servem de gozação de alguns capixabas ou mesmo de mineiros que viraram capixabas, quando dizem que certos mineiros chegam a levar para as praias sabonete e toalha de banho; outra gozação comum que se faz com a mineirada é que eles costumam trazer tudo pronto de lá: feijão, arroz, carne assada, farofa, frango com quiabo, polenta, leite, queijo, doce de leite, pó de café, broa de milho e mais uma porção de coisas da culinária mineira, para não gastar o dinheiro deles aqui. Verdade ou não, o certo é que os mineiros, em sua maioria,são muito cautelosos quando o assunto é dinheiro.

Não se pode negar que esse tipo de “invasão” da mineirada em território capixaba, notadamente nas praias, é sempre muito bem vinda porque ajuda a aquecer a economia local, mesmo muitos mineiros sendo considerados “mão-de-vaca”; por conta disso, aliás, eles já foram, por muitos anos, os maiores banqueiros do país.

Bendita “invasão” essa dos mineiros, que deixam de lado o seu Mar de Espanha e adotam o mar do Espírito Santo e suas belas e gostosas praias, localizadas de Norte a Sul do território capixaba!

Quando vim de Minas para cá há 60 anos, todos os domingos e feriados eram as minhas preferências e de minha família para o lazer. 


Morando na região Sul de Vitória, pegava o bonde e rumava com a minha família para a Praia Comprida, de saudosa memória, e abrigados à sombra das centenárias castanheiras passava horas e horas desfrutando da gostosura do mar; ainda bem que já não levava, como outros mineiros, toalha de banho e sabonete...

Alencar Garcia de Freitas 
é jornalista




Pitaco do Oleari

O que disseram alguns mineiros sobre Minas


Rubem Alves
“Minas não tem mar.
Minas tem montanhas, matas e céu.
Minas não tem mar,
lá quem quiser navegar tem de aprender que o mar é em outro lugar.
O mar de Minas não é no mar.
O mar de Minas é no céu, pro mundo olhar pra cima e navegar
sem nunca ter um porto pra chegar.
Carlos Drummond de Andrade disse: “Ser mineiro é viver nas montanhas, é ter vida interior, é ser gente. 
Guimarães Rosa disse: “o mar, meu filho, é uma espécie de saudade…”
Rubens Pontes, nosso parceito aqui da Rádio Clube da Boa Música e do Portal DOPC, mandou uma historinha de mineiro.

- Um mineirim tava no Ridijanero, bismado cas praia, pé discarço, sem camisa, aquele carção samba-canção. Sem cueca pur dibacho. Os carioca zombando, contando piada dji mineiro. Alhei a tudo , o mineirim olhou pro marzão i num si guentô: correu a toda velocidadi.

- Ideu um mergúio , deu cambaióta , pegô jacaré i tudo mais. Quano saiu , o carção dji ticido finim tava transparente e grudadim na pér. Tudu mundo na praia, tava oiano pro tamanho do "amigão" qui o mineirim tinha. O bicho ia até pertim do juêi... i. A turma nunca tinha visto coisa iguar. As muié cum sorrisão , os homi roxo dinveja , só tinham oios pro bixo. 
- O mineirim intão percebeu a situação , ficou todo invergonhadu i gritô: 
- Qui qui foi, uai? Seus bobãum...vão dizê qui quano oceis pula na água fria , o pintim doceis num incói tumém? 

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