Orlando Eller: Estive pensando

10 de dezembro de 2016
Estive pensando...

Trecho de História - 1970:

Garrastazu, repressivo, ditador, um cara foda. Os jovens (só ricos ou classe média abastada, claro!)
se mudavam para outros países (pensando nos paraísos). Os pobres ficaram aqui sifudendo para
manter a obra e a dignidade do país, apesar do sufoco de quem nada sabia sobre o amanhã. Aí veio
a Copa de 1970.

Morei em Porto Alegre entre fevereiro de 1965 e maio de 1974. E, estudante, pertenci a um certo
Movimento de Estudantes Secundaristas do Rio Grande do Sul. Nunca enfrentei de cara a Brigada
Militar montada. Eu ajudava, fazia, corria e me divertia. Porque uma nação é uma diversão em que
a gente precisa ter juízo acerca da hora certa. A hora de uns não é a hora dos outros. A menos que
se entendam, e tudo fica bem. Seja no bem ou no mal.

Hoje, não tenho mais o Garrastazu nem a Brigada Militar. Mas tenho uma porra de gente desonesta
cheia de poder e de pretensões, capaz de judiar, maltratar e prejudicar o país como nenhum outro
dos ditadores daquele tempo foram capazes de fazer.

Quero sugerir aos jovens que leiam, se informem e construam seus entendimentos e interpretações
acerca do que houve então e do que há hoje, comparando sempre, cuidadosamente, mas sem excesso
de atenção àqueles que só querem promoção e vaidade, defenestrando tudo o que houve após 1964,
sem considerar os fatos e suas consequências históricas. Há excesso de filadaputa tirando proveito
daqueles tempos tidos ruins só pra se promover. Parece gente boa, mas não é.

Ser contra aquela ditadura é fácil, custa nada, só discurso. Promove, política, ideológica e socialmente,
e nada acrescenta à nação, à sociedade, ao bem comum. Nada. Ouviu alguém falar contra a tal ditadura,
desconfie porque tem busca de promoção em jogo.

Desafio todos a serem contra o que está ocorrendo no Brasil hoje. Porque o Brasil de ontem é só uma
referência (como tem sido) que oportunistas usam para promoção, vaidade e ascensão política e social.

São muitos os filhos da puta que surgiram e ainda cresceram usando essa balela e abusando da crença
do povinho pobre, ignaro e idiota.

A gente já deveria ter aprendido. Mas não aprendemos e assim
estamos construindo as razões para um novo caos institucional.

Abraço. Ah... ouça as músicas, hits do tempo do ido Garrastazu.
E saiba: os de hoje também se vão. Como moscas.

Orlando Eller é jornalista

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