Alencar Garcia de Freitas: eleitor elege um candidato pensando noutro

16 de junho de 2017


Em política partidária, às vezes, alguns partidos trabalham, malandramente, em favor de um candidato cujo nome deixa o eleitor pensando que está votando em alguma figura que ocupa os meios de comunicação todos os dias; os exemplos mais comuns são os atores famosos, jogadores de futebol, cantores, profissionais liberais e até políticos bem sucedidos.

Em nível nacional os exemplos recentes mais notórios são Tiririca, eleito deputado federal por São Paulo e com a sobra dos seus votos levou para a Câmara dos Deputados o esperto Paulo Maluf; e, no Rio e Janeiro, Romario, jogador de futebol, que virou senador da República pelo estado fluminense. 

Poderia citar aqui outros equívocos cometidos por eleitores Brasil afora, mas o espaço aqui não permite; talvez noutra oportunidade, sim.
Resolvi me concentrar na política capixaba, recordando um caso especial em Vitória com a eleição do médico Jair Andrade como vice-prefeito de Solon Borges (foto).

Nessa época a legislação eleitoral permitia que se elegesse, para cargo executivo, o prefeito de um partido e o vice de outro partido. 

Naquele tempo, quando Solon Borges foi lançado a prefeito de Vitória, fazia um programa religioso de grande audiência na Rádio Espírito Santo e quem o anunciava sempre era o radialista Jair Andrade, muito conhecido da população de Vitória,

Há quem diga que o doutor Jair Andrade foi eleito na água do outro Jair Andrade, o radialista; nesse caso, a população da capital capixaba é que levou a melhor, uma vez que Solon Borges, na metade do seu mandato, resolveu renunciar para alçar um voo mais alto, candidatando-se ao Senado Federal, perdendo a eleição. 

Esse fato – a renúncia de Solon Borges – deu ao médico Jair Andrade, que era socialista, a oportunidade de ser prefeito de Vitória, com uma das gestões das mais produtivas à frente da Prefeitura, sendo a sua principal marca o Mercado da Vila Rubim, que antes era um amontoado de casebres.

A meu ver a eleição do médico Jair Andrade (no monumento) como vice-prefeito de Vitória foi um dos melhores equívocos do eleitor vitoriense, porque, certamente, o seu xará, meu colega radialista Jair Andrade (até porque este não era candidato), por mais bem intencionado que fosse creio que não conseguiria fazer melhor do que o médico.

Bom seria se outros equívocos (por troca de nome ou por similaridade) dos que têm acontecido na política brasileira se repetissem como aconteceu com o médico Jair Andrade, de saudosa memória, porque o que se vê por aí é equívoco que só traz prejuízo à população brasileira.





Alencar Garcia de Freitas 
é jornalista

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