Indústria 4.0 exige novo profissional da engenharia com múltiplas qualificações e novos modelos de negócios

19 de junho de 2017

Sabe aquela fábrica com operadores de máquina e produção em série? 

Seus dias estão contados (Herman Augusto Lepikson).
 

Herman Augusto Lepikson, Diretor do Cimatec (BA) fala sobre a indústria 4.0.

Isso é o que promete o mercado de tecnologia com os tipos de negócio da indústria 4.0, um modelo inovador que ganhou força em 2011 na Alemanha e busca modernizar a indústria local.

O assunto foi discutido no 2º Seminário de Desenvolvimento das Empresas de Engenharia realizado na terça-feira (13) pelo Crea-ES, no Hotel Comfort Suítes, Praia do Canto, Vitória/ES, e contou com a presença do secretário estadual de Desenvolvimento, José Eduardo Azevedo.

A nova era conta com mecanismos mais automatizados e controlados por máquinas (robôs), que irão tornar o processo produtivo mais eficiente. Especialistas alegam que essa mudança passa pela convergência entre o mundo digital e a indústria tradicional, e que o Brasil deveria seguir o caminho de empresas dos Estados Unidos, Europa e China. 

Fábricas inteligentes, computadores de alto desempenho, robótica avançada, treinamento e conhecimento avançado devem marcar essa nova geração que aos poucos ganha espaço.

A sociedade está na era da digitalização, segundo o diretor do Instituto Senai de Inovação em Logística e Manufatura Avançada (Cimatec), Herman Augusto Lepikson.

- “Tudo que fazíamos de forma tradicional está mudando para novas formas de modelo de negócios. Imagina comprar uma roupa, em que você se coloca em frente ao espelho virtual e já se vê de maneira que, através de um menu, previamente apresentado, possibilita definir o formato e modelo da roupa, já com as suas medidas, feitas pelo espelho virtual e, horas depois, receber o produto em casa. Não foi preciso sair de casa. Isso muda a forma de fazer negócio, a maneira de de construção do produto e a relação com o cliente/fornecedor”, afirma.

Nessa perspectiva, as fábricas inteligentes terão a capacidade e autonomia para agendar manutenções, prever falhas nos processos e se adaptarem aos requisitos e mudanças não planejadas na produção.

A proposta é agregar valor ao produto, segundo Herman. 

- “O cliente poderá colocar no produto o tipo de acessório que o interessa. Estamos falando, por exemplo, de roupas para atletas, como sensores que monitorem os dados que precisam para melhorar seu desempenho. Dessa forma, muda o nível de qualificação, o tipo de trabalho, a forma de relacionamento das empresas com seus clientes e a cadeia de fornecimento”, pondera.

Mercado
Técnicas de realidade aumentada e virtual devem fazer parte da rotina das empresas para acelerar o processo de desenvolvimento de seus produtos e processos de produção. “Imagine um produto e, ainda sem tê-lo, conseguir testá-lo. Em um ambiente virtual, projetar uma fábrica inteira e, além de testá-la, validá-la e quando você ligar a fábrica funcionar. 

Essa é a tendência! Formatar um produto conforme a necessidade de cada um”, explica.
Segundo o instrutor, a partir de estudos nacionais e internacionais, 35% dos atuais empregos não existiam há 10 anos, já no futuro, 60% de quem hoje é criança estarão em empregos que ainda não existem.

Mesmo com o baixo uso de tecnologias digitais no Brasil, o que afeta a competitividade no país na economia global, os rumos podem mudar.

- “Como será no Brasil? Vai depender de como as organizações, instituições públicas e privadas vão entender esse processo, que gradualmente está acontecendo”, revela.

Profissional do futuro

Países atentos às mudanças que a engenharia está passando investem em áreas da ciência, tecnologia, engenharia e matemática. 

- “Dificilmente você vai encontrar um equipamento sofisticado que seja puramente mecânico. O carro de 10 anos atrás era, mas o de hoje tem mais computação (eletrônica) do que mecânica. A tendência é essa”, diz.

Os profissionais também precisarão se adaptar, pois com fábricas ainda mais automatizadas, novas demandas surgirão enquanto algumas deixarão de existir.

- “As pessoas vão ser mais donas de si, do seu negócio, de uma ideia, diferente do que acontece hoje, que muitas vezes acaba em fazer aquela tarefa repetitiva. Serão destacadas atividades de criação, trabalho em grupo, liderança. A qualificação será alterada para que essas novas tecnologias possam ser melhor aproveitadas”, revela.

As demandas em pesquisa e desenvolvimento vão oferecer oportunidades para profissionais tecnicamente capacitados, com formação multidisciplinar para compreender e trabalhar com a variedade de tecnologia que compõe uma fábrica inteligente. E nesse canal, como o profissional irá se qualificar, segundo o professor da Ufes, Herbert Carneiro. 

- “Como anda o plano nacional de integração? Quais são os profissionais que estão formando e trabalhando? São perguntas que precisamos de respostas”, diz.

Imóvel e PPPs

O evento abordou ainda temas como o imóvel dos sonhos que está dividindo espaço com o imóvel do futuro. Segundo o diretor técnico da BKO Engenharia, Fábio Luís Garbossa Francisco, o imóvel do futuro une diariamente tendências, comportamento, crenças e necessidades do consumidor.

-  “Seria um imóvel alinhado com as questões sustentáveis, ambientais, sociais e principalmente no desempenho técnico esperado. Imóvel que em seu uso e operação ao longo de sua vida útil, mantivesse o investimento e valorizasse o empreendimento agregando valor e economizando recursos no seu uso”, diz.

E ainda as possibilidades em torno das Parcerias Público-Privadas (PPP’s), que no Brasil atinge mais de 100 contratos, segundo Bruno Ramos Pereira, sócio da Radar PPP, empresa que atua na elaboração de projetos para PPP’s. “ Esse modelo de parceria, considerado inovador, é de longo prazo e pode durar de cinco a 35 anos. E a empresa responsável pela obra possui garantias”, diz.

Seminário
Especialistas de todo o país compartilharam experiências e informaram os participantes do 2º Seminário de Desenvolvimento das Empresas de Engenharia sobre tecnologias diferenciadas, competitividade, sustentabilidade, parcerias público-privadas e concessões, e em como transformar oportunidades em negócios.

O seminário é uma realização do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Espírito Santo (Crea-ES), com promoção do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico do Estado do Espírito Santo (Sindifer-ES), Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Espírito Santo (Sinduscon-ES), Sindicato da Indústria da Construção Pesada no Estado do Espírito Santo (Sindicopes-ES) e Senai-ES, além de apoio da Ufes, Ifes e Centro Capixaba de Desenvolvimento Metalmecânico (CDMEC).

Com Fernanda Gomes

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